Completei 45 anos há poucos dias. No último domingo, sentei numa carteira escolar pra fazer o Enem cercado de jovens de 16, 17 anos, cheios de energia, sonhos e aquela ansiedade boa de quem ainda tá começando o jogo.
E, no meio deles, eu me senti parte. Integrado. Não pela idade, mas pela vontade de continuar começando.
Pra mim, os 45 do segundo tempo não são sobre o fim. Têm gosto de meio, sabe? Como se fosse aquele intervalo em que a gente entende o que quer continuar jogando, o que precisa sair de campo e o que merece mais fôlego.
Meus planos ainda cabem num senhor de 90, com corpo ativo, cabeça aberta e curiosidade intacta. É por isso que falo tanto de esporte, saúde e bem-estar: não é vaidade, é estratégia de longevidade.
Na minha área, o marketing, talvez o que falte hoje seja justamente isso: longevidade. Andamos tão acelerados, tão digitais, tão preocupados com métricas, influenciadores e filtros, que esquecemos o que faz o marketing viver: gente.
Sinto falta do marketing raiz. Daquele que começa com um café, um aperto de mão e um “me conta o que você precisa”. Sem contaminação digital, sem palco, sem o verde do gramado do vizinho.
Quero conversar com as crianças nascidas faz tempo, aquelas que ainda acreditam que uma boa história é contada no olho, e não no feed. Aos 45 do segundo tempo, ainda dá tempo de mudar o placar.
O jogo vai ser bom que eu sei, então, que venha a prorrogação!